Crianças e adolescentes assistem mais a vídeos de influenciadores digitais do que a séries e filmes, diz pesquisa
Levantamento TIC Kids Online 2025 aponta que 85% dos jovens têm perfil ativo em plataformas digitais e 65% já usaram inteligência artificial para estudar, criar ou buscar informações.

Vídeos de influenciadores digitais são o formato mais visto por crianças e adolescentes brasileiros na internet. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada nesta quarta-feira (22), 46% dos usuários de 9 a 17 anos assistem a esse tipo de conteúdo várias vezes ao dia.
Em seguida, aparecem séries, filmes e programas (35%), tutoriais (29%) e vídeos de pessoas jogando videogame (23%).
O estudo, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra também dados específicos da faixa etária de 11 a 17 anos. Estes são os tipos favoritos de vídeo deles:
• 66%: de pessoas abrindo embalagens;
• 65%: de tutoriais ;
• 61%: de produtos recebidos de marcas;
• 54%: de visitas a lojas ou eventos;
• 53%: de divulgação de jogos de apostas;
• 52%: de desafios com marcas;
• 39%: de sorteios ou concursos.
Metade pediu aos pais algum produto após ver propaganda
Uma das consequências da exposição excessiva a redes sociais é o contato constante com publicidade. Mais da metade dos usuários de 11 a 17 anos afirmou ter visto propaganda digital em diferentes plataformas:
• Redes sociais: 55%
• Sites de vídeo: 52%
• Televisão: 52%
• Jogos on-line: 26%
Do total, 51% pediram algum produto após ver propaganda na internet. As preferências variam por gênero:
• Meninas: 33% pediram materiais escolares, e 20%, livros, revistas e gibis;
• Meninos: 27% pediram jogos ou videogames, e 15%, moedas virtuais para jogos.
Além disso, 63% pesquisaram produtos na internet e 44% buscaram informações sobre marcas no último ano.
85% dos usuários têm perfil em ao menos uma plataforma digital
O WhatsApp é a plataforma mais usada “várias vezes ao dia” por crianças e adolescentes, seguido por YouTube, Instagram e TikTok:
• WhatsApp: 53% (várias vezes ao dia) e 15% (todos os dias ou quase todos)
• YouTube: 48% (várias vezes ao dia)
• Instagram: 48% (várias vezes ao dia) e 11% (todos os dias ou quase todos)
• TikTok: 46% (várias vezes ao dia) e 11% (todos os dias ou quase todos)
O estudo mostra ainda que 85% dos usuários de 9 a 17 anos possuem perfil em pelo menos uma plataforma digital. A proporção cresce com a idade:
• 64% entre 9 e 10 anos;
• 79% entre 11 e 12 anos;
• 91% entre 13 e 14 anos;
• 99% entre 15 e 17 anos.
Celular vence TV entre os dispositivos mais usados
O levantamento aponta que 92% da população de 9 a 17 anos usa internet, o que equivale a 24,5 milhões de crianças e adolescentes — proporção estável em relação à edição anterior.
O celular continua sendo o principal meio de acesso (96%), seguido por:
• Televisão: 74%
• Computador: 30%
• Videogame: 16%
• Dispositivos vestíveis ou assistentes pessoais: 7% cada
Pela primeira vez, a pesquisa investigou a frequência de uso dos aparelhos:
• 74% usam o celular várias vezes ao dia
• 35% assistem à TV diariamente
• 8% usam computador de mesa ou portátil todos os dias
Atividades on-line: trabalhos escolares dominam uso
As atividades mais comuns continuam ligadas à escola e à busca de informações:
• 81% pesquisaram para trabalhos escolares
• 70% buscaram informações sobre temas de interesse
• 48% leram ou assistiram notícias
• 31% procuraram informações sobre saúde
A criação de conteúdo também é expressiva:
• 33% produziram vídeo, música ou imagem e postaram;
• 20% escreveram e publicaram ideias ou pensamentos.
65% dos usuários de 9 a 17 anos usaram IA generativa
Pela primeira vez, a TIC Kids Online analisou o uso de inteligência artificial generativa (IA) por esse público:
• 59% usaram IA para pesquisas escolares ou estudos;
• 42% para buscar informações;
• 21% para criar conteúdo;
• 10% para conversar sobre emoções.
No total, 65% dos usuários de 9 a 17 anos usaram IA generativa para alguma dessas finalidades.
O uso é mais frequente entre adolescentes de 15 a 17 anos do que entre crianças de 9 a 10 anos — por exemplo, 68% contra 37% no caso das pesquisas escolares.
Fonte: Portal G1 - Redação
